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Dia de Campo da Noz Pecan

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Apelo nutricional favorece mercado de nozes e castanhas

O consumo de nozes do tipo macadâmia e pecan, castanha brasileira e castanha de caju – mais conhecida como do Pará – tem aumentado em todo o mundo, graças à maior conscientização do consumidor sobre o valor nutricional e os benefícios que estes alimentos proporcionam à saúde. Praticidade e sustentabilidade são outros apelos para o crescimento deste mercado no Brasil.

De acordo com José Eduardo Mendes Camargo, diretor da Divisão de Nozes e Castanhas do Departamento do Agronegócio (Deagro), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a cadeia produtiva de nozes e castanhas e frutas secas – chamadas de nuts – cresce anualmente na faixa de 6% a 8%, movimentando US$ 35 bilhões em todo o mundo.

“Nos últimos dez anos, os preços destes produtos aumentaram cerca de 400%, em dólares”, informou Camargo durante o 6º Encontro Internacional de Castanhas, Nozes e Frutas Secas, promovido pela Fiesp, em São Paulo, no último dia 5 de outubro.

A receita brasileira com as exportações anuais alcança US$ 133 milhões. Atualmente, o País vende ao exterior castanha de caju, castanha brasileira, noz macadâmia e noz pecan. “A seca tem prejudicado a castanha de caju nos últimos anos, no entanto há bom potencial de crescimento”, afirmou.

Ele ainda apontou outros indicadores positivos para o setor. “A proibição de queimadas nas plantações de cana-de-açúcar deve liberar áreas em encostas para outras culturas, com boa expectativa para a noz macadâmia. Outra boa notícia é que a castanha brasileira passou a ser cultivada”, ressaltou Camargo, que ainda destacou o aumento da produção de castanha de baru.

PRODUTORES

Os maiores produtores mundiais de castanha de caju são Índia, Vietnã, Brasil e Nigéria. De acordo com o diretor da Divisão de Nozes e Castanhas do Deagro, o País produz, atualmente, 82 mil toneladas de nozes e castanhas.

“Para garantir o crescimento médio anual de 6,5%, previsto para os próximos seis anos, o produtor precisa de crédito, além de pesquisa e desenvolvimento”, comentou.

Embora as castanhas e nozes tenham qualidades nutricionais, sejam sustentáveis e proporcionem alta rentabilidade, ele ressaltou que o setor necessita de mais pesquisa com foco no aumento da produção e da produtividade.

“Também precisa comprovar as propriedades das castanhas e nozes como alimentos funcionais, como ocorre em outros países, e também sua importância para a indústria de cosméticos”, destacou Camargo.

Também presente durante o encontro da Fiesp, o vice-presidente de Inovação da Natura, Gerson Pinto, destacou o potencial das nozes e castanhas no segmento de cosméticos. “Trata-se de um mercado muito grande (o de cosméticos), e o Brasil já é o terceiro do mundo, atrás somente dos Estados Unidos e Japão”, ressaltou.

PESQUISA

Professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), Silvia Cozzolino citou os resultados de uma pesquisa com a castanha brasileira, como fonte de selênio, mineral que potencializa o sistema imunológico e que funciona como antioxidante, participando do metabolismo dos hormônios da tireoide.

“Também tivemos efeitos positivos do consumo de uma castanha do Brasil ao dia, por pacientes com Alzheimer, com comprometimento cognitivo leve e no sistema imunológico de pacientes submetidos à hemodiálise”, contou a professora, durante encontro.

Pesquisador da Embrapa Instrumentação, Luiz Alberto Colnago apresentou algumas tecnologias disponíveis para produtores rurais e processadores de castanhas e nozes, como os testes não invasivos e de alta velocidade para determinação do teor e da qualidade do óleo de castanhas, “úteis para o melhoramento genético e controle de qualidade”.

Colnago citou ainda estudos sobre revestimento de nozes e castanhas com filme comestível, que ajudam a aumentar o tempo de prateleira.

NEGÓCIOS

Presidente do Conselho Superior de Inovação de Competitividade da Fiesp e fundador da Nutrimental, fabricante das barras de cereais Nutry, Rodrigo Rocha Loures destacou o potencial das nuts para atender aos desafios sociais, econômicos e de saúde do Brasil.

Adriana Miglorancia, presidente da Nutty Bavarian, empresa com mais de 900 pontos de venda no mundo, lembrou que no Brasil, até 1996, as nuts eram consumidas quase exclusivamente no Natal. “A marca conseguiu alcançar, com o passar do tempo, o consumidor brasileiro fora de épocas tradicionais, como as festas natalinas”, disse.

Vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e diretor de Relações Governamentais do Grupo Pão de Açúcar, Marcio Milan, que participou do painel sobre oportunidades de negócios, afirmou que antes a chance de vender nozes e castanhas era restrita ao final do ano, mas houve uma evolução neste sentido.

Mesmo assim, ele salientou que “precisamos discutir formas para ajudar a cadeia a se desenvolver ainda mais”.

Fonte: MeioAmbiente